Desde pequena, o sonho de Valéria dos Santos Leira era ser professora. “Quando criança, meu brinquedo favorito sempre foi o quadro-negro. Eu passava o dia dando aula para minhas bonecas”, recorda-se.
Quando jovem, uniu-se a esse sonho o desejo de ser mãe. Mas ela não pode engravidar. E então, a sala de aula tornou-se o cenário perfeito para que os dois sonhos se cruzassem e a professora pudesse estar cercada de crianças, às quais dedica amor, e é vista como uma “mãezona”. “Sempre quis ser mãe, mas não pude. A carência de não ter filhos, curo neles. Isso me supre de alguma forma. Na escola, dizem que sou uma ‘mãezona’ mesmo. As crianças não desgrudam de mim nem na hora do recreio”, orgulha-se.
Há seis anos no município, Valéria é professora de duas turmas de 5º ano na E.M. Embaixador Dias Carneiro, no Tanque. Na escola, também faz parte do Conselho Escola Comunidade – CEC, formado por representantes dos segmentos professor, aluno, responsável, funcionário e associação de moradores, cujo presidente é o diretor da escola. Esse conselho é consultivo e tem por finalidade promover a integração escola-família-comunidade, visando à melhoria do ensino.
Criatividade e dedicação em sala de aula
Formada pelo antigo Instituto de Educação, na Tijuca – hoje, Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj) –, Valéria tinha a intenção de lecionar para a pré-escola. No entanto, até começar a atuar em sala de aula, foi caixa de supermercado, operadora de telemarketing e deu aulas particulares, entre outros trabalhos.
Até que decidiu concorrer a uma vaga na Rede Municipal e entrou para a escola onde atua hoje. Nessa escola, Valéria já assumiu turmas dos projetos de Realfabetização e Aceleração, com as quais diz se identificar muito. “Em geral, são alunos que sentem vergonha da idade evoluída e do pouco estudo e, também por isso, no início, faltam muito. Mas me adapto muito bem com essas turmas. Gosto do desafio de resgatar o aluno, de mudar seu pensamento e fazer com que ele tenha interesse pelos estudos e pela escola”.
Atualmente, a professora está à frente de duas turmas de 5º ano. Em suas aulas, busca utilizar o projetor e propor atividades criativas ou minimamente diferentes para estimular as crianças. Uma vez por mês, é exibido um filme proposto pela turma. Depois da sessão, os alunos conversam sobre a história, as personagens e o que foi apreendido por eles.
Para trabalhar a ortografia, os alunos sugerem letras de músicas. “Em geral, eles escolhem algum funk. Seleciono algum, mostro a letra e identificamos os erros. Assim, peço que reescrevam corrigindo esses erros. Depois, eles cantam e até dançam”.
Dedicada e muito determinada, Valéria está concluindo uma graduação a distância, em Letras. Além dos estudos, boa parte de seu tempo é dedicada a seus pais e aos três sobrinhos – suas paixões. Uma vez ao mês, também se reúne com um grupo de professores da escola em que trabalha para alguma atividade de lazer, como cinema ou boliche. “É o nosso momento de não falar de trabalho e apenas focar na diversão.”