Quando decidiu cursar Biologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o sonho de Simone Fadel era estudar os psitacídeos – família composta por papagaios, araras, periquitos, entre outras aves. No entanto, já no final da faculdade, a situação política em que o país vivia – o período de ditadura militar – fez com que os planos mudassem e ela se aproximasse do movimento estudantil. “Na época, eu pensava: diante de uma situação social tão importante, como eu posso estudar araras?”, recorda-se a professora, hoje com 53 anos.
Assim que concluiu o curso, Simone foi selecionada para fazer um Mestrado em Educação, voltado para professores, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Acabou não concluindo a dissertação de final de curso e deixando o Mestrado de lado, por um tempo.
Então, retornou à ideia de estudar as aves e passou a trabalhar como voluntária no Museu Nacional/UFRJ. Também deu aula nas escolas municipais Bernardo de Vasconcellos, na Penha, e Eneyda Rabello de Andrade, em Vigário Geral. Até que resolveu retomar o Mestrado e concluir sua dissertação, na qual falou sobre o olhar e a relação dos moradores da comunidade Nova Divineia, no Grajaú, fronteiriça à Floresta da Tijuca, com o parque do bairro.
Em 1992 – quando defendeu a dissertação –, a ideia de Educação Ambiental começava a ser pensada, segundo Simone. Quatro anos depois, a professora foi convidada a dirigir um setor no Núcleo Central da SME-RJ responsável por pensar e discutir como esse conceito seria trabalhado nas escolas da Rede.
Em paralelo a isso, Simone foi aprovada e passou a lecionar na Faculdade de Educação da Baixada Fluminense, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), em Caxias. E em 2002, entrou em um Doutorado na Universidade de São Paulo (USP), ao mesmo tempo que lecionava na E.M. Orsina da Fonseca.
Hoje, Simone integra a equipe de ensino de Ciências da Coordenadoria Técnica da SME-RJ, responsável pela elaboração de materiais pedagógicos, pela atualização de professores, etc. Ela também está entre os professores atuantes no Módulo 4º e 5º Anos do curso Interações Pedagógicas – uma parceria da SME com a MultiRio –, transmitido de terça a quinta pela Web TV.
“Não me arrependo de ter trabalhado com papagaios, mas, hoje, sou muito feliz com o que faço. Meu trabalho me preenche e me sinto muito bem em saber que o que eu faço pode ajudar outros professores. É como se eu fizesse outro tipo de militância. E com certeza contribuo para um mundo melhor e uma sociedade mais justa”, orgulha-se.
Esportista e viciada em games
Aos 39 anos, Simone Fadel parou de fumar. A partir daí, para não engordar, passou a praticar diversas modalidades esportivas, como karatê, natação, remo e corrida.
Simone está se preparando para correr sua primeira maratona, no final do ano. Moradora do Leblon, ela também tem se dedicado à natação: recentemente, disputou o Circuito Rei e Rainha do Mar, no Rio.
O gosto pela culinária tornou-se cada vez mais forte na vida da professora. Ela aprendeu receitas saudáveis, passou a selecionar melhor o que come e a apostar em produtos orgânicos.
Para manter-se informada, Simone recorre a revistas, jornais e internet, o que lhe permite analisar os fatos de forma crítica, a partir de diferentes visões. “Me assusta um pouco esse mundo dos ‘memes’, essa geração que não lê textos.”
Quanto à leitura, vem tentando dedicar-se a autores russos, por influência de seu filho, Pedro, de 19 anos, estudante de Música. Mas, quando consegue um tempo livre, o que ganha mesmo sua atenção é um jogo on-line de RPG. “Entendo as crianças e os jovens. Eu jogo até hoje, muitas vezes de madrugada! Crio personagens, fico ansiosa por atualizações das versões e por filmes relacionados ao jogo.”
Apaixonada pela vida, pela família e pelo que faz, Simone destaca a importância das pessoas com quem se relacionou e daquelas com as quais convive até hoje. “Minha trajetória é muito coletiva: com a universidade, com professores, colegas de trabalho, com meu filho. Foi a minha relação com o outro que me fez ser quem sou.”