O Ciep Elis Regina, da comunidade Nova Holanda, na Maré (4ª CRE), deve seu nome a uma das melhores cantoras que o Brasil já conheceu. Intensa: assim era Elis. Filha de operário, assinou o primeiro contrato profissional aos 12 anos, para se apresentar em um programa da Rádio Gaúcha, em Porto Alegre. Aos 19, em 1964, chegou ao Rio de Janeiro acompanhada pelo pai e começou a cantar na TV Rio, levada por Paulo Gracindo, que tinha um programa na emissora e apostou em seu talento.
No ano seguinte, venceu o I Festival da Canção, interpretando Arrastão (de Edu Lobo e Vinicius de Moraes), e iniciou o programa semanal O Fino da Bossa, com o parceiro Jair Rodrigues, na TV Record. Ficariam no ar por dois anos. Firmava-se, assim, como grande intérprete da música brasileira.
Aos 22 anos, casou-se com Ronaldo Bôscoli, compositor e produtor musical, com quem teve o filho João Marcelo. Cinco anos depois, separaram-se. O segundo casamento foi com Cesar Camargo Mariano, músico de sua banda, do qual nasceram os filhos Pedro e Maria Rita.
Elis, Cesar e os músicos do conjunto desenvolveram o projeto Circuito Universitário, apresentando-se para estudantes em cidades do interior de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná: “Íamos de ônibus. Era ótimo para rodarmos as músicas dos discos”, relembra, com afeto, Cesar Camargo Mariano, no site dedicado à cantora.
Em 1975, Elis e Cesar produziram um tipo de espetáculo inédito no Brasil: Falso Brilhante era um musical que reuniu a cantora-atriz e mais sete músicos-atores, cenário, figurino e luz para contar a trajetória de um artista, do anonimato ao estrelato. Criado para ficar em cartaz por quatro dias, permaneceu de terça a domingo no Teatro Bandeirantes, em São Paulo, por dois anos, só interrompendo a trajetória porque Elis chegou aos sete meses de gravidez da filha Maria Rita.
Em 1981, o casal se separou. Em janeiro de 1982, no auge da fama, Elis morreu aos 36 anos, na cidade de São Paulo. Em seu quarto foram encontrados uma garrafa quase vazia de bebida alcoólica e um envelope também vazio de comprimidos para dormir.
A cantora faria 70 anos em 2015. Para celebrar a data, os filhos lançaram o site elisregina.com.br para colocar o talento da intérprete ao alcance do público brasileiro. Além da discografia, fotos, vídeos da própria artista em ação e da biografia Viva Elis, há depoimentos em vídeo de amigos, como Aldir Blanc, Marília Pêra, Milton Nascimento, Gilberto Gil e Ivan Lins.
A “voz maior”, como a chamou a atriz Tônia Carrero, gravou quase todos os nomes da MPB: Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Edu Lobo, Jorge Ben, Beto Guedes, Gonzaguinha, Rita Lee, Paulo César Pinheiro, João Bosco, Cartola, entre muitos outros.
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